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terça-feira, 14 de maio de 2019

NÍVEIS DE AQUISIÇÃO DA ESCRITA, PROPOSTA DA EMÍLIA FERREIRO

NIVEIS DE AQUISIÇÃO DA ESCRITA, PROPOSTA DA EMÍLIA FERREIRO

1ª Fase PRÉ – SILÁBICA:

As partes da escrita não correspondem às partes do nome. Fase gráfica primitiva – símbolos e pseudoletras, misturadas com letras e números. Os alunos escrevem letras, bolinhas e números, como se soubessem escrever, sem uma preocupação com as propriedades sonoras da escrita. Nesse nível o aluno explora tanto critérios qualitativos (varia o repertório das letras ou a posição das mesmas, sem alterar a quantidade) ou critérios quantitativos (varia a quantidade de letras de uma escrita para outra, sem preocupação com as propriedades sonoras). Para eles a leitura e a escrita só são possíveis se houver muitas letras (mais de 3 ou 4) e, letras diferentes e variadas. Sabe que a escrita é uma forma de representação. Pode usar letras ou pseudoletras, garatujas, números e desenhos. Não compreende que a escrita é a representação da fala. Organiza as letras em quantidade (mínimo e máximo de letras para ler). Vai direto para o significado, sem passar para a sonora. Variação de letras – BLSIK – elefante. Relaciona o tamanho da palavra com o tamanho do objeto (Realismo nominal).

2ª Fase SILÁBICA:

É a descoberta de que a quantidade de letras com que vai escrever uma palavra pode ter correspondência com a quantidade de partes que se reconhece na emissão oral. “Pedaços sonoros”, essas partes são as sílabas em geral, o aluno faz corresponder uma grafia a cada sílaba. Inicia-se assim o período silábico, que evolui até chegar a uma exigência rigorosa. O aluno já aceita palavras com uma ou duas letras. Esse nível representa um salto qualitativo do aluno, que supera a etapa da correspondência global entre a forma escrita e a expressão oral atribuída. Esta fase desdobra-se em duas:

a)    Silábica SEM valor sonoro: ainda não faz relação do som com a grafia da letra que utiliza. A escrita ainda não é percebida como representação da fala. Usa uma letra para representar cada sílaba, sem se preocupar com o valor sonoro. Exemplo: macaco – BPS ou cavalo – BUP.

b)    Silábica COM valor sonoro: a escrita começa a representar a fala. Percebe a relação de som com a grafia. Escreve uma letra para cada sílaba. Exemplo: pato – AO (valor sonoro só nas vogais) ou pato – PT (só nas consoantes).

3ª Fase SILÁBICA – ALFABÉTICA:

Nesse nível existem duas formas de correspondência entre sons e grafia: silábica (sílaba é o som produzido por uma só emissão de voz) e alfabética (análise fonética e/ou análise dos fonemas, que são os elementos sonoros da linguagem e têm nas letras o seu correspondente). O aluno escreve parte da palavra aplicando a hipótese silábica, de que para escrever uma sílaba é necessário apenas uma letra. Costuma usar somente vogais, porque combina com uma porção de palavras, mas para eles em uma palavra, não pode repetir a mesma letra duas ou mais vezes numa escrita, pois assim o resultado será algo “não legível”. Nesse nível, o aluno já começa a acrescentar letras na primeira sílaba. Este tipo de escrita tem sido considerado tradicionalmente como “omissão de letras”. É verdade que do ponto de vista da escrita adulta convencional, faltam algumas letras, mas do ponto de vista do sujeito em desenvolvimento – o aluno, este tipo de escrita é “acréscimo de letra”, porque está introduzindo mais letras que sua análise silábica previa. O período silábico- alfabético marca a transição entre os esquemas prévios a serem abandonados e os esquemas futuros que serão construídos. Começam então, a descobrir que a sílaba pode ser escrita com uma, duas, três ou mais letras que o som não garante a identidade de letras, nem a identidade de letras a de sons, partindo assim para o nível alfabético. Apresenta escrita algumas vezes com sílabas completas e outras incompletas. Alterna escrita silábica com alfabética. Exemplo: Tiago – TIAO; cavalo – KVAO; camelo – CAMU; tomate – TOMT.

4ª Fase ALFABÉTICA:

Caracteriza – se pela correspondência pelo fonema e grafias. Geralmente os alunos já conseguem ler e expressar graficamente o que pensa ou fala. Compreende a logicidade da base alfabética da escrita. Nesse nível, têm a distinção de letra e sílaba, palavra e frase. A análise se aprimora e é possível a compreensão de que uma sílaba pode ter uma, duas ou três letras, mas ainda se confunde, ou se esquece de algumas letras. Muitas vezes centra sua escrita na sílaba, perdendo a noção do todo. Portanto o trabalho com sílabas dá um apoio para a escrita e possibilita uma conscientização do processo. A análise se aprimora e é possível a compreensão de que uma sílaba pode ter uma, duas ou três letras. Faz correspondência entre fonemas (som) e grafemas (letras). Ainda não domina as normas ortográficas da língua. Escreve como fala. Exemplos: camelo – KAMELO; tomate – TUMATI; G+A= ga e T+O= to GATO.

5ª Fase ALFABÉTICA – ORTOGRÁFICA:

Faz a correspondência entre letras e grafemas. Amplia o conhecimento sobre as normas ortográficas. Faz a correção do seu próprio texto. Exemplo: jardim – JARDIN; correio – CORREO; cabeça – CABESA; isso – ISO.


Fonte: Curso realizado na EE Lucy Requião de Mello e Silva, modalidade especial, distribuído pela equipe pedagógica da escola citad

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ideias de filmes para trabalhar em Geografia...

http://canaldoensino.com.br/blog/17-filmes-para-estudar-geografia
Vc pode ir direto no link acima também.... abraços Regina Motta
Olá pessoal,
Preparamos um especial com 17 filmes para você estudar Geografia, a lista tem uma parte dedicada apenas a documentários.
Ficção:
Lincoln (2012). Dirigido por Steven Spielberg, o filme foi lançado em janeiro deste ano no Brasil e mostra a luta de Abraham Lincoln, presidente dos Estados Unidos de 1861 até seu assassinato em abril de 1865, para aprovar a 13ª Emenda, que abolia a escravidão no país, em 1865.
Os Miseráveis (2012). A história se passa na França do século XIX entre duas grandes batalhas: a Batalha de Waterloo e os motins de junho de 1832.
Valsa Com Bashir (2008). Filme israelense sobre a 1ª Guerra do Líbano, no início dos anos 80.
Persepolis (2007). É sobre o início da nova República Islâmica e como ela passou a controlar como as pessoas deveriam se vestir e agir.
Munique (2005). Dirigido por Steven Spielberg, fala sobre um ataque terrorista que aconteceu nas Olimpíadas de Munique de 1972, quando um grupo palestino denominado Setembro Negro invadiu a Vila Olímpica e matou integrantes da equipe olímpica israelense.
Tropa de Elite 1 e 2 (2007 e 2010). Sobre a violência urbana no Rio de Janeiro.
1984 (1984). Adaptação do livro 1984, escrito em 1948 por George Orwell, que aborda o tema do totalitarismo.
Tempos Modernos (1936). Filme de Charles Chaplin que aborda a Revolução Industrial.
Daens – Um grito de Justiça (1992). O filme se passa na segunda metade do século XIX, período considerado como a Segunda Revolução
Industrial, que apresentou grande avanço tecnológico e científico.
Germinal (1993). Baseado no romance  de mesmo nome de Émile Zola, aborda os movimentos grevistas de um grupo de mineiros no norte da França do século XIX contra a exploração.
Documentários:
O Dia que durou 21 anos (2011). O documentário mostra a influência do governo dos Estados Unidos no Golpe de Estado no Brasil em 1964.
Capitalismo: Uma história de amor (2009). Filme de Michael Moore sobre o capitalismo, a liberdade e os Estados Unidos.
Chove sobre Santiago (1976). Sobre o golpe militar no Chile em 1973.
O contestado (2012). Sobre a Guerra do Contestado, ocorrida entre 1912 e 1916, que envolveu milhares de civis e militares e colocou Paraná e
Santa Catarina em disputa por questões territoriais.
Terra para Rose (1987). Documentário sobre a formação do MST.
O veneno está sobre nossa mesa (2011). Sobre o uso abusivo de agrotóxicos nos alimentos no Brasil.
Bom estudo!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Alfabetização e Letramento:

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Alfabetização e Letramento:
Repensando o Ensino da Língua Escrita
Silvia M. Gasparian ColelloFEUSPsilvia.colello@uol.com.br
Se, no início da década de 80, os estudos acerca da psicogênese da língua escrita trouxeram aos educadores o entendimento de que a alfabetização, longe de ser a apropriação de um código, envolve um complexo processo de elaboração de hipóteses sobre a representação lingüística; os anos que se seguiram, com a emergência dos estudos sobre o letramento [i] , foram igualmente férteis na compreensão da dimensão sócio-cultural da língua escrita e de seu aprendizado. Em estreita sintonia, ambos os movimentos, nas suas vertentes teórico-conceituais, romperam definitivamente com a segregação dicotômica entre o sujeito que aprende e o professor que ensina. Romperam também com o reducionismo que delimitava a sala de aula como o único espaço de aprendizagem.
Reforçando os princípios antes propalados por Vygotsky e Piaget, a aprendizagem se processa em uma relação interativa entre o sujeito e a cultura em que vive. Isso quer dizer que, ao lado dos processos cognitivos de elaboração absolutamente pessoal (ninguém aprende pelo outro), há um contexto que, não só fornece informações específicas ao aprendiz, como também motiva, dá sentido e “concretude” ao aprendido, e ainda condiciona suas possibilidades efetivas de aplicação e uso nas situações vividas. Entre o homem e o saberes próprios de sua cultura, há que se valorizar os inúmeros agentes mediadores da aprendizagem (não só o professor, nem só a escola, embora estes sejam agentes privilegiados pela sistemática pedagogicamente planejada, objetivos e intencionalidade assumida).
O objetivo do presente artigo é apresentar o impacto dos estudos sobre o letramento para as práticas alfabetizadoras.
Capitaneada pelas publicações de Angela Kleiman, (95) Magda Soares (95, 98) e Tfouni (95), a concepção de letramento contribuiu para redimensionar a compreensão que hoje temos sobre: a) as dimensões do aprender a ler e a escrever; b) o desafio de ensinar a ler e a escrever; c) o significado do aprender a ler e a escrever, c) o quadro da sociedade leitora no Brasil d) os motivos pelos quais tantos deixam de aprender a ler e a escrever, e e) as próprias perspectivas das pesquisas sobre letramento.

As dimensões do aprender a ler e a escrever

Durante muito tempo a alfabetização foi entendida como mera sistematização do “B + A = BA”, isto é, como a aquisição de um código fundado na relação entre fonemas e grafemas. Em uma sociedade constituída em grande parte por analfabetos e marcada por reduzidas práticas de leitura e escrita, a simples consciência fonológica que permitia aos sujeitos associar sons e letras para produzir/interpretar palavras (ou frases curtas) parecia ser suficiente para diferenciar o alfabetizado do analfabeto.
Com o tempo, a superação do analfabetismo em massa e a crescente complexidade de nossas sociedades fazem surgir maiores e mais variadas práticas de uso da língua escrita. Tão fortes são os apelos que o mundo letrado exerce sobre as pessoas que já não lhes basta a capacidade de desenhar letras ou decifrar o código da leitura. Seguindo a mesma trajetória dos países desenvolvidos, o final do século XX impôs a praticamente todos os povos a exigência da língua escrita não mais como meta de conhecimento desejável, mas como verdadeira condição para a sobrevivência e a conquista da cidadania. Foi no contexto das grandes transformações culturais, sociais, políticas, econômicas e tecnológicas que o termo “letramento” surgiu [ii] , ampliando o sentido do que tradicionalmente se conhecia por alfabetização (Soares, 2003).
Hoje, tão importante quanto conhecer o funcionamento do sistema de escrita é poder se engajar em práticas sociais letradas, respondendo aos inevitáveis apelos de uma cultura grafocêntrica. Assim,
Enquanto a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de uma sociedade (Tfouni, 1995, p. 20).
Com a mesma preocupação em diferenciar as práticas escolares de ensino da língua escrita e a dimensão social das várias manifestações escritas em cada comunidade, Kleiman, apoiada nos estudos de Scribner e Cole, define o letramento como
... um conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos. As práticas específicas da escola, que forneciam o parâmetro de prática social segundo a qual o letramento era definido, e segundo a qual os sujeitos eram classificados ao longo da dicotomia alfabetizado ou não-alfabetizado, passam a ser, em função dessa definição, apenas um tipo de prática – de fato, dominante – que desenvolve alguns tipos de habilidades mas não outros, e que determina uma forma de utilizar o conhecimento sobre a escrita. (1995, p. 19)
Mais do que expor a oposição entre os conceitos de “alfabetização” e “letramento”, Soares valoriza o impacto qualitativo que este conjunto de práticas sociais representa para o sujeito, extrapolando a dimensão técnica e instrumental do puro domínio do sistema de escrita:
Alfabetização é o processo pelo qual se adquire o domínio de um código e das habilidades de utilizá-lo para ler e escrever, ou seja: o domínio da tecnologia – do conjunto de técnicas – para exercer a arte e ciência da escrita. Ao exercício efetivo e competente da tecnologia da escrita denomina-se Letramento que implica habilidades várias, tais como: capacidade de ler ou escrever para atingir diferentes objetivos (In Ribeiro, 2003, p. 91).
Ao permitir que o sujeito interprete, divirta-se, seduza, sistematize, confronte, induza, documente, informe, oriente-se, reivindique, e garanta a sua memória, o efetivo uso da escrita garante-lhe uma condição diferenciada na sua relação com o mundo, um estado não necessariamente conquistado por aquele que apenas domina o código (Soares, 1998). Por isso, aprender a ler e a escrever implica não apenas o conhecimento das letras e do modo de decodificá-las (ou de associá-las), mas a possibilidade de usar esse conhecimento em benefício de formas de expressão e comunicação, possíveis, reconhecidas, necessárias e legítimas em um determinado contexto cultural. Em função disso,
Talvez a diretriz pedagógica mais importante no trabalho (...dos professores), tanto na pré-escola quanto no ensino médio, seja a utilização da escrita verdadeira [iii] nas diversas atividades pedagógicas, isto é, a utilização da escrita, em sala, correspondendo às formas pelas quais ela é utilizada verdadeiramente nas práticas sociais. Nesta perspectiva, assume-se que o ponto de partida e de chegada do processo de alfabetização escolar é o texto: trecho falado ou escrito, caracterizado pela unidade de sentido que se estabelece numa determinada situação discursiva. (Leite, p. 25)

O desafio de ensinar a ler e a escrever

Partindo da concepção da língua escrita como sistema formal (de regras, convenções e normas de funcionamento) que se legitima pela possibilidade de uso efetivo nas mais diversas situações e para diferentes fins, somos levados a admitir o paradoxo inerente à própria língua: por um lado, uma estrutura suficientemente fechada que não admite transgressões sob pena de perder a dupla condição de inteligibilidade e comunicação; por outro, um recurso suficientemente aberto que permite dizer tudo, isto é, um sistema permanentemente disponível ao poder humano de criação (Geraldi, 93).
Como conciliar essas duas vertentes da língua em um único sistema de ensino? Na análise dessa questão, dois embates merecem destaque: o conceitual e o ideológico.
1) O embate conceitual
Tendo em vista a independência e a interdependência entre alfabetização e letramento (processos paralelos [iv] , simultâneos ou não [v] , mas que indiscutivelmente se complementam), alguns autores contestam a distinção de ambos os conceitos, defendendo um único e indissociável processo de aprendizagem (incluindo a compreensão do sistema e sua possibilidade de uso). Em uma concepção progressista de “alfabetização” (nascida em oposição às práticas tradicionais, a partir dos estudos psicogenéticos dos anos 80), o processo de alfabetização incorpora a experiência do letramento e este não passa de uma redundância em função de como o ensino da língua escrita já é concebido. Questionada formalmente sobre a “novidade conceitual” da palavra “letramento”, Emilia Ferreiro explicita assim a sua rejeição ao uso do termo:
Há algum tempo, descobriram no Brasil que se poderia usar a expressão letramento. E o que aconteceu com a alfabetização? Virou sinônimo de decodificação. Letramento passou a ser o estar em contato com distintos tipos de texto, o compreender o que se lê. Isso é um retrocesso. Eu me nego a aceitar um período de decodificação prévio àquele em que se passa a perceber a função social do texto. Acreditar nisso é dar razão à velha consciência fonológica. (2003, p. 30)
Note-se, contudo, que a oposição da referida autora circunscreve-se estritamente ao perigo da dissociação entre o aprender a escrever e o usar a escrita (“retrocesso” porque representa a volta da tradicional compreensão instrumental da escrita). Como árdua defensora de práticas pedagógicas contextualizadas e signifcativas para o sujeito, o trabalho de Emília Ferreiro, tal como o dos estudiosos do letramento, apela para o resgate das efetivas práticas sociais de língua escrita o que faz da oposição entre eles um mero embate conceitual.
Tomando os dois extremos como ênfases nefastas à aprendizagem da língua escrita (priorizando a aprendizagem do sistema ou privilegiando apenas as práticas sociais de aproximação do aluno com os textos), Soares defende a complementaridade e o equilíbrio entre ambos e chama a atenção para o valor da distinção terminológica:
Porque alfabetização e letramento são conceitos freqüentemente confundidos ou sobrepostos, é importante distingui-los, ao mesmo tempo que é importante também aproximá-los: a distinção é necessária porque a introdução, no campo da educação, do conceito de letramento tem ameaçado perigosamente a especificidade do processo de alfabetização; por outro lado, a aproximação é necessária porque não só o processo de alfabetização, embora distinto e específico, altera-se e reconfigura-se no quadro do conceito de letramento, como também este é dependente daquele. (2003, p. 90)
Assim como a autora, é preciso reconhecer o mérito teórico e conceitual de ambos os termos. Balizando o movimento pendular das propostas pedagógicas (não raro transformadas em modismos banais e mal assimilados), a compreensão que hoje temos do fenômeno do letramento presta-se tanto para banir definitivamente as práticas mecânicas de ensino instrumental, como para se repensar na especificidade da alfabetização. Na ambivalência dessa revolução conceitual, encontra-se o desafio dos educadores em face do ensino da língua escria: o alfabetizar letrando.
2) O embate ideológico
Mais severo do que o embate conceitual, a oposição entre os dois modelos descritos por Street (1984) [vi] representa um posicionamento radicalmente diferente, tanto no que diz respeito às concepções implícita ou explicitamente assumidas quanto no que tange à pratica pedagógica por elas sustentadas.
O “Modelo Autônomo”, predominante em nossa sociedade, parte do princípio de que, independentemente do contexto de produção, a língua tem uma autonomia (resultado de uma lógica intrínseca) que só pode ser apreendida por um processo único, normalmente associado ao sucesso e desenvolvimento próprios de grupos “mais civilizados”.
Contagiada pela concepção de que o uso da escrita só é legitimo se atrelada ao padrão elitista da “norma culta” e que esta, por sua vez, pressupõe a compreensão de um inflexível funcionamento lingüístico, a escola tradicional sempre pautou o ensino pela progressão ordenada de conhecimentos: aprender a falar a língua dominante, assimilar as normas do sistema de escrita para, um dia (talvez nunca) fazer uso desse sistema em formas de manifestação previsíveis e valorizadas pela sociedade. Em síntese, uma prática reducionista pelo viés lingüístico e autoritária pelo significado político; uma metodologia etnocêntrica que, pela desconsideração do aluno, mais se presta a alimentar o quadro do fracasso escolar.
Em oposição, o “Modelo Ideológico” admite a pluralidade das práticas letradas, valorizando o seu significado cultural e contexto de produção. Rompendo definitivamente com a divisão entre o “momento de aprender” e o “momento de fazer uso da aprendizagem”, os estudos lingüísticos propõem a articulação dinâmica e reversível [vii] entre “descobrir a escrita” (conhecimento de suas funções e formas de manifestação), “aprender a escrita” (compreensão das regras e modos de funcionamento) e “usar a escrita” (cultivo de suas práticas a partir de um referencial culturalmente significativo para o sujeito). O esquema abaixo pretende ilustrar a integração das várias dimensões do aprender a ler e escrever no processo de alfabetizar letrando:


O significado do aprender a ler e a escrever

Ao permitir que as pessoas cultivem os hábitos de leitura e escrita e respondam aos apelos da cultura grafocêntrica, podendo inserir-se criticamente na sociedade, a aprendizagem da língua escrita deixa de ser uma questão estritamente pedagógica para alçar-se à esfera política, evidentemente pelo que representa o investimento na formação humana. Nas palavras de Emilia Ferreiro,
A escrita é importante na escola, porque é importante fora dela e não o contrário. (2001)
Retomando a tese defendida por Paulo Freire, os estudos sobre o letramento reconfiguraram a conotação política de uma conquista – a alfabetização - que não necessariamente se coloca a serviço da libertação humana. Muito pelo contrário, a história do ensino no Brasil, a despeito de eventuais boas intenções e das “ilhas de excelência”, tem deixado rastros de um índice sempre inaceitável de analfabetismo agravado pelo quadro nacional de baixo letramento.

O quadro da sociedade leitora no Brasil

Do mesmo modo como transformaram as concepções de língua escrita, redimensionaram as diretrizes para a alfabetização e ampliaram a reflexão sobre o significado dessa aprendizagem, os estudos sobre o letramento obrigam-nos a reconfigurar o quadro da sociedade leitora no Brasil. Ao lado do índice nacional de 16.295.000 analfabetos no país (IBGE, 2003), importa considerar um contingente de indivíduos que, embora formalmente alfabetizados, são incapazes de ler textos longos, localizar ou relacionar suas informações.
Dados do Instituto Nacional de Estatística e Pesquisa em Educação (INEP) indicam que os índices alcançados pela maioria dos alunos de 4ª série do Ensino Fundamental não ultrapassam os níveis “crítico” e “muito crítico”. Isso quer dizer que mesmo para as crianças que têm acesso à escola e que nela permanecem por mais de 3 anos, não há garantia de acesso autônomo às praticas sociais de leitura e escrita (Colello, 2003, Colello e Silva, 2003). Que escola é essa que não ensina a escrever?
Independentemente do vínculo escolar, essa mesma tendência parece confirmar-se pelo “Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional” (INAF), uma pesquisa realizada por amostragem representativa da população brasileira de jovens e adultos (de 15 a 64 anos de idade) [viii] : entre os 2000 entrevistados, 1475 eram analfabetos ou tinham pouca autonomia para ler ou escrever, e apenas 525 puderam ser considerados efetivos usuários da língua escrita. Indiscutivelmente, uma triste realidade!

Os motivos pelos quais tantos deixam de aprender a ler e a escrever

Por que será que tantas crianças e jovens deixam de aprender a ler e a escrever? Por que é tão difícil integrar-se de modo competente nas práticas sociais de leitura e escrita?
Se descartássemos as explicações mais simplistas (verdadeiros mitos da educação) que culpam o aluno pelo fracasso escolar; se admitíssemos que os chamados “problemas de aprendizagem” se explicam muito mais pelas relações estabelecidas na dinâmica da vida estudantil; se o desafio do ensino pudesse ser enfrentado a partir da necessidade de compreender o aluno para com ele estabelecer uma relação dialógica, significativa e compromissada com a construção do conhecimento; se as práticas pedagógicas pudessem transformar as iniciativas meramente instrucionais em intervenções educativas; talvez fosse possível compreender melhor o significado e a verdadeira extensão da não aprendizagem e do quadro de analfabetismo no Brasil.
Nesse sentido, os estudos sobre o letramento se prestam à fundamentação de pelo menos três hipóteses não excludentes para explicar o fracasso no ensino da língua escrita. Na mesma linha de argumentação dos educadores que evidenciaram os efeitos do “currículo oculto” nos resultados escolares de diferentes segmentos sociais, é preciso considerar, como ponto de partida, que as práticas letradas de diferentes comunidades (e portanto, as experiências de diferentes alunos) são muitas vezes distantes do enfoque que a escola costuma dar à escrita (o letramento tipicamente escolar). Lidar com essa diferença (as formas diversas de conceber e valorar a escrita, os diferentes usos, as várias linguagens, os possíveis posicionamentos do interlocutor, os graus diferenciados de familiaridade temática, as alternativas de instrumentos, portadores de textos e de práticas de produção e interpretação...) significa muitas vezes percorrer uma longa trajetória, cuja duração não está prevista nos padrões inflexíveis da programação curricular.
Em segundo lugar, é preciso considerar a reação do aprendiz em face da proposta pedagógica, muitas vezes autoritária, artificial e pouco significativa. Na dificuldade de lidar com a lógica do “aprenda primeiro para depois ver para que serve”, muitos alunos parecem pouco convencidos a mobilizar os seus esforços cognitivos em benefício do aprender a ler e a escrever (Carraher, Carraher e Schileimann, 1989; Colello, 2003, Colello e Silva, 2003). Essa típica postura de resistência ao artificialismo pedagógico em um contexto de falta de sintonia entre alunos e professores parece evidente na reivindicação da personagem Mafalda:
Com ironia e bom humor, o exemplo acima explica o caso bastante freqüente de jovens inteligentes que aprenderam a lidar com tantas situações complexas da vida (aquisição da linguagem, transações de dinheiro, jogos de computador, atividades profissionais, regras e práticas esportivas entre outras), mas que não conseguem disponibilizar esse reconhecido potencial para superar a condição de analfabetismo e baixo letramento.
Por último, ao considerar os princípios do alfabetizar letrando (ou do Modelo Ideológico de letramento), devemos admitir que o processo de aquisição da língua escrita está fortemente vinculado a uma nova condição cognitiva e cultural. Paradoxalmente, a assimilação desse status (justamente aquilo que os educadores esperam de seus alunos como evidência de “desenvolvimento” ou de emancipação do sujeito) pode se configurar, na perspectiva do aprendiz, como motivos de resistência ao aprendizado: a negação de um mundo que não é o seu; o temor de perder suas raízes (sua história e referencial); o medo de abalar a primazia até então concedida à oralidade (sua mais típica forma de expressão), o receio de trair seus pares com o ingresso no mundo letrado e a insegurança na conquista da nova identidade (como “aluno bem-sucedido” ou como “sujeito alfabetizado” em uma cultura grafocêntrica altamente competitiva).
... a aprendizagem da língua escrita envolve um processo de aculturação – através, e na direção das práticas discursivas de grupos letrados - , não sendo, portanto, apenas um processo marcado pelo conflito, como todo processo de aprendizagem, mas também um processo de perda e de luta social. (...)
(...) há uma dimensão de poder envolvida no processo de aculturação efetivado na escola: aprender – ou não – a ler e escrever não equivale a aprender uma técnica ou um conjunto de conhecimentos. O que está envolvido para o aluno adulto é a aceitação ou o desafio e a rejeição dos pressupostos, concepções e práticas de um grupo dominante – a saber, as práticas de letramento desses grupos entre as quais se incluem a leitura e a produção de textos em diversas instituições, bem como as formas legitimadas de se falar desses textos -, e o conseqüente abandono (e rejeição) das práticas culturais primárias de seu grupo subalterno que, até esse momento, eram as que lhe permitiam compreender o mundo. (Kleiman, 2001, p. 271)
Como exemplo de um mecanismo de resistência ao mundo letrado construído por práticas pedagógicas (ainda que involuntariamnete ideologizantes) no cotidiano da sala de aula, Kleiman (2001) expõe o caso de um grupo de jovens que se rebelaram ante a proposta da professora de examinar bulas de remédio. Como recurso didático até bem intencionado, o objetivo da tarefa era o de aproximar os alunos da escrita, favorecendo a compreensão de seus usos, nesse caso, chamando a sua atenção para os perigos da auto-medicação e para a importância de se informar antes de tomar uma medicação (posologia, reações adversas, efeitos colaterais, etc). Do ponto de vista dos alunos, o repúdio à tarefa, à escola e muito provavelmente à escrita foi uma reação contra a implícita proposta de fazer parte de um mundo ao qual nem todos podem ter livre acesso: o mundo da medicina, da possibilidade de ser acompanhado por um médico e da compra de remédios.
Na prática, a desconsideração dos significados implícitos do processo de alfabetização - o longo e difícil caminho que o sujeito pouco letrado tem a percorrer, a reação dele em face da artificialidade das práticas pedagógica e a negação do mundo letrado – acaba por expulsar o aluno da escola, um destino cruel, mas evitável se o professor souber instituir em classe uma interação capaz de mediar as tensões, negociar significados e construir novos contextos de inserção social.

Perspectivas das pesquisas sobre letramento

Embora o termo “letramento” remeta a uma dimensão complexa e plural das práticas sociais de uso da escrita, a apreensão de uma dada realidade, seja ela de um determinado grupo social ou de um campo específico de conhecimento (ou prática profissional) motivou a emergência de inúmeros estudos a respeito de suas especificidades. É por isso que, nos meios educacionais e acadêmicos, vemos surgir a referência no plural “letramentos”.
Mesmo correndo o risco de inadequação terminológica, ganhamos a possibilidade de repensar o trânsito do homem na diversidade dos “mundos letrados”, cada um deles marcado pela especificidade de um universo. Desta forma, é possível confrontar diferentes realidades, como por exemplo o “letramento social” com o “letramento escolar”; analisar particularidades culturais, como por exemplo o “letramento das comunidades operárias da periferia de São Paulo”, ou ainda compreender as exigências de aprendizagem em uma área específica, como é o caso do “letramento científico”, “letramento musical” o “letramento da informática ou dos internautas”. Em cada um desses universos, é possível delinear práticas (comportamentos exercidos por um grupo de sujeitos e concepções assumidas que dão sentido a essas manifestações) e eventos (situações compartilhadas de usos da escrita) como focos interdependentes de uma mesma realidade (Soares, 2003). A aproximação com as especificidades permite não só identificar a realidade de um grupo ou campo em particular (suas necessidades, características, dificuldades, modos de valoração da escrita), como também ajustar medidas de intervenção pedagógica, avaliando suas conseqüências. No caso de programas de alfabetização, a relevância de tais pesquisas é assim defendida por Kleiman:
Se por meio das grandes pesquisas quantitativas, podemos conhecer onde e quando intervir em nível global, os estudos acadêmicos qualitativos, geralmente de tipo etnográfico, permitem conhecer as perspectivas específicas dos usuários e os contextos de uso e apropriação da escrita, permitindo, portanto, avaliar o impacto das intervenções e até, de forma semelhante à das macro análises, procurar tendências gerais capazes de subsidiar as políticas de implementação de programas. (2001, p. 269)
***
Sem a pretensão de esgotar o tema, a breve análise do impacto e contribuição dos estudos sobre letramento aqui desenvolvida aponta para a necessidade de aproximar, no campo da educação, teoria e prática. Na sutura entre concepções, implicações pedagógicas, reconfiguração de metas e quadros de referência, hipóteses explicativas e perspectivas de investigação, talvez possamos encontrar subsídios e alternativas para a transformação da sociedade leitora no Brasil, uma realidade politicamente inaceitável e, pedagogicamente, aquém de nossos ideais.



NOTAS
[i] “Literacy” do inglês, traduzido por “letramento” no Brasil e por “literacia” em Portugal é uma terminologia não dicionarizada que, nos meios acadêmicos, vem sendo utilizada com diferentes sentidos.
[ii] No Brasil, o termo “letramento” foi usado pela 1a vez por Mary Kato, em 1986, na obra “No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística” (São Paulo, Ática). Dois anos depois, passa a representar um referencial no discurso da educação, ao ser definido por Tfouni em “Adultos não alfabetizados: o avesso do avesso” (São Paulo, Pontes) e retomado em publicações posteriores.
[iii] O autor utiliza a expressão “escrita verdadeira” em oposição à “escrita escolar”, um modelo muitas vezes artificial, cujo reducionismo não faz justiça à multidimensionalidade da língua viva.
[iv] Como evidência desse paralelismo, é possível, por exemplo, termos casos de pessoas letradas e não alfabetizadas (indivíduos que, mesmo incapazes de ler e escrever, compreendem os papéis sociais da escrita, distinguem gêneros ou reconhecem as diferenças entre a língua escrita e a oralidade) ou de pessoas alfabetizadas e pouco letradas (aqueles que, mesmo dominando o sistema da escrita, pouco vislumbram suas possibilidades de uso).
[v] Em uma sociedade como a nossa, o mais comum é que a alfabetização seja desencadeada por práticas de letramento, tais como ouvir histórias, observar cartazes, conviver com práticas de troca de correspondência, etc. No entanto, é possível que indivíduos com baixo nível de letramento (não raro membros de comunidades analfabetas ou provenientes de meios com reduzidas práticas de leitura e escrita) só tenham a oportunidade de vivenciar tais eventos na ocasião de ingresso na escola, com o início do processo formal de alfabetização.
[vi] Para um estudo mais aprofundado dos modelos “Autônomo” e “Ideológico” descritos por Street, remetemos o leitor à leitura de Kleiman, 1985.
[vii] Dinâmica porque pressupõe o movimento intenso de um pólo ao outro; reversível porque a experiência em qualquer um dos pólos remete ao amadurecimento nos demais.
[viii] Para mais dados sobre a pesquisa do INAF (objetivos, população envolvida, critérios de análise e resultados obtidos), remetemos o leitor à leitura de Ribeiro (2003).
Referências bibliográficas:
CARRAHER, T., CARRAHER, D. & SCHLIEMANN, A. Na vida dez, na escola zero. São Paulo, Cortez, 1989.
COLELLO, S. M. G. “A pedagogia da exclusão no ensino da língua escrita” In VIDETUR, n. 23. Porto/Portugal, Mandruvá, 2003, pp. 27 – 34 (www.hottopos.com).
COLELLO, S. M. G. & SILVA, N. “Letramento: do processo de exclusão social aos vícios da prática pedagógica” In VIDETUR, n. 21. Porto/Portugal: Mandruvá, 2003, pp. 21 – 34 (ww.hottopos.com).
FEEREIRO, E. Cultura escrita e educação. Porto Alegre, Artes Médicas, 2001.
__________ “Alfabetização e cultura escrita”, Entrevista concedida à Denise Pellegrini In Nova Escola – A revista do Professor. São Paulo, Abril, maio/2003, pp. 27 – 30.
GERALDI, W. Portos de Passagem. São Paulo, Martins Fontes, 1993.
___________ Linguagem e ensino: exercícios de militância e divulgação. Campinas, Mercado das Letras/ABL,1996.
IBGE, Censo Demográfico, Mapa do analfabetismo no Brasil, Brasília, MEC/INEP, 2003.
KLEIMAN, A. B. (org.) Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas, Mercado das Letras, 1995.
___________ “Programa de educação de jovens e adultos” In Educação e Pesquisa – Revista da Faculdade de Educação da USP. São Paulo, v. 27, n.2, p.267 – 281.
LEITE, S. A. S. (org.) Alfabetização e letramento – contribuições para as práticas pedagógicas. Campinas, Komedi/Arte Escrita, 2001.
RIBEIRO, V. M. (org.) Letramento no Brasil. São Paulo: Global, 2003.
SOARES, M. B. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte, Autêntica, 1998.
____________ “Língua escrita, sociedade e cultura: relações, dimensões e perspectivas”, Revista Brasileira de Educação, n. 0, 1995, pp. 5 – 16.
STREET, B. V. Literacy in theory and Practice. Cambridge, University Press, 1984.
TFOUNI, L.V. Letramento e alfabetização. São Paulo, Cortez,1995.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

AVALIAÇÃO DE LIVROS DIDÁTICOS E PROPOSTA DE ATIVIDADES DIDÁTICO-PEDAGÓGICAS EM SOLOS PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA.




Este trabalho teve como objetivo avaliar alguns livros didáticos utilizados no ensino de geografia, que tratam do assunto solo, nos níveis fundamental e médio, produzir uma cartilha para professores, com sugestão de atividades práticas e a elaboração de materiais que auxiliem no processo de ensino aprendizagem do tema, além de avaliar o uso da cartilha em algumas escolas.
Para tanto, foram necessárias pesquisas bibliográficas de livros didáticos de geografia do ensino fundamental e médio, obtidos a partir de uma lista fornecida pela Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais, onde foram selecionados aleatoriamente 11 livros; pesquisa bibliográfica sobre o estudo de solos; pesquisa bibliográfica sobre metodologia de ensino; aplicação de questionários para professores e alunos, com o objetivo de avaliar o interesse pelo assunto e a avaliação sobre a cartilha.
A maior parte dos professores entrevistados considerou a geografia física importante, trabalhando com o assunto solos, e relacionando seu bom desempenho para tratar do assunto, com a formação bem estruturada na disciplina pedologia. Problemas com assuntos ligados à geografia física, muitas vezes se relacionam com a pouca atenção dada aos cursos de licenciatura.
Sabe-se que muitos professores usam apenas o livro didático, como um manual a ser seguido, trabalhando quase que exclusivamente com aulas expositivas, o que demonstra que o ensino tradicional ainda domina muitas escolas. Os professores consideraram que seus alunos não se interessavam pelo assunto solos, porém a maioria dos alunos aprovou as aulas. O que se observa é a velha pedagogia tradicional, em que o professor se coloca como detentor do conhecimento e o aluno como agente passivo.
Os alunos se interessaram pelo assunto, por ser algo que se relaciona facilmente com sua vivência, associado a uma abordagem clara dos conceitos que o fundamentam, de forma lógica e encadeada, levando à aprendizagem. Após aplicarem a cartilha, todos os professores relataram não precisar de conhecimento mais apurado para tratar o assunto e que se sentiram satisfeitos com o resultado das aulas, observando que os alunos conseguiram desenvolver um raciocínio lógico e encadeado sobre o assunto.
Conclui-se que os livros Didáticos pouco tratam deste assunto, e que aulas ligadas à sua vivência levam a compreensão e não à memorização. A cartilha é um bom instrumento para ajudar o professor na diversificação de suas aulas, mas não é útil se ele não souber usá-la, pois continuará levando os alunos a simples memorização. Os materiais paradidáticos
são utilizados pelos professores, que não o aproveitam bem, e se apóiam basicamente em livros didáticos e programas curriculares, sem nenhum questionamento.

Geografia Física: o estudo dos elementos naturais da Terra





A dificuldade dos alunos em aceitar a geografia física, ou assuntos com solos, está diretamente ligada ao tratamento dados pelas universidades ao curso de licenciatura, que em muitos casos fica aquém do bacharelado.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA NAS SÉRIES INICIAIS




A ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA NAS SÉRIES INICIAIS

Autor(es):




SANTOS, Tarciane Araújo dos; BANDEIRA, Silvana de Matos; LIMA,

Milene Conceição




Apresentador:

Tarciane Araújo dos Santos




Orientador:

Sidney Gonçalves Vieira




Revisor 1:

Paulo Quintana Rodrigues




Revisor 2:

Rosa Elane Antoria Lucas




Instituição:

Universidade Federal de Pelotas




A ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA NAS SÉRIES INICIAIS

DOS SANTOS, Tarciane Araújo
1*; BANDEIRA, Silvana de Matos 1; LIMA, Milene

Conceição
2; VIEIRA, Sidney Gonçalves 3.




1
Especialização em Geografia – Instituto de Ciências Humanas – UFPel

2
Especialização em Educação – Faculdade de Educação – UFPel

3
Doutor em Geografia – Departamento de Geografia – ICH – UFPel

Rua Alberto Rosa, 154 – CEP 96010-770. Pelotas – RS. * E-mail: anetarci@yahoo.com.br




1. INTRODUÇÃO




A cartografia permite ler e interpretar o espaço próximo ou distante através de

símbolos que se relacionam entre si, representando no papel um espaço reduzido, que

fornece ao leitor informações que o ajudarão a se localizar no espaço e a compreender

os diferentes espaços do mundo e suas dimensões. Esta temática deve ser trabalhada

já nas séries iniciais do ensino fundamental, através de jogos e brincadeiras

(MARTINELLI, 1998). Os conhecimentos cartográficos devem ser adquiridos em um

processo de alfabetização, o qual Simielli (1986) chama de “alfabetização cartográfica”.

Espaço é um conceito muito abstrato para uma criança e é a partir da sua

realidade, do seu espaço vivido, percebido e concreto que se deve começar o trabalho

com ela. As atividades necessitam partir do espaço próximo, do que é familiar para

após trabalhar com espaços mais distantes. Cabendo assim ao professor, a tarefa de

promover essas atividades, ajudando o aluno no desenvolvimento das noções espaciais

(ALMEIDA, 2001).

As primeiras atividades devem envolver o próprio corpo da criança, para que ela

se aproprie do espaço através dos sentidos (visão, tato e audição). Brincadeiras que

envolvam habilidades como pular, andar, engatinhar, brincar de roda, com a bola, com

cordas, entre outras. Nessas brincadeiras podem ser introduzidas algumas noções

geométricas, como a bola e a roda (círculo) e a corda (reta) (FURLAN, 2007).

O professor pode utilizar ainda diversas atividades para trabalhar os conceitos de

cartografia em sala de aula como maquetes, mapa do corpo, planta da sala de aula,

construção de uma bússola, trabalho com fotos, entre outros (ALMEIDA, 2001).

A alfabetização cartográfica é o objetivo básico das séries iniciais e ela propõe

atividades que desenvolvam as seguintes noções: pontos, linha, área, lateralidade,

orientação, localização, referências, noção de espaço e tempo (RIBEIRO

et al., 2001).




O objetivo principal foi identificar como alguns profissionais da educação

trabalham a alfabetização cartográfica nas séries iniciais em escolas públicas e

particulares do município de Arroio Grande – RS, visando observar a maneira realizada

e se esta condiz com a mais adequada.




2. MATERIAL E MÉTODOS




A metodologia empregada foi de acordo com uma linha de pesquisa quantitativa.

Foi realizada uma entrevista semi-estruturada, com questões abertas, tendo como

população alvo 10 professores sendo 8 de escolas públicas e 2 de escolas particulares.

A formação acadêmica dos professores foi de 10 professores com magistério (ensino

médio) e destes, 8 com graduação (ensino superior) e 2 sem graduação (ensino

superior). As séries de interesse em que a população alvo leciona foi de 1ª a 4 série.

Na coleta de dados, através da entrevista semi-estruturada, os professores

entrevistados responderam as seguintes questões: a) Que tipos de atividades são

propostas para o estudo de cartografia nas escolas? b) Os alunos realizam atividades

concretas de noções de espaço antes de começar a trabalhar com mapas

cartográficos? c) Como são trabalhadas em sala de aula as noções de espaço antes de

se trabalhar com mapas? d) Você já trabalhou com maquetes em sala de aula com os

alunos? e) Você já construiu alguma maquete com os alunos em sala de aula?

As informações coletadas foram analisadas pelo método de análise temática

(MINAYO, 1993).




3. RESULTADOS E DISCUSSÃO




Uma ampla diversidade de atividades são propostas para o estudo de cartografia

nas escolas (Figura 1), na qual a atividade mais utilizada com os alunos é o trabalho

com mapas que atinge uma porcentagem de 38%. Outras atividades também são

realizadas, como maquetes (16%) e vários jogos (16%).


Os alunos realizam algumas atividades concretas de noções de espaço antes de


começar a trabalhar com mapas cartográficos, na qual 70% dos professores

entrevistados afirmam que os alunos realizam atividades e que 30% não realizam

nenhuma atividade concreta.



As noções de espaço devem ser trabalhadas com recursos em sala de aula

antes de se trabalhar com mapas. Os principais recursos trabalhados são: com jogos

(23%) e com o lugar de vivência dos alunos (23%). Conforme mostra a figura 3, outros

recursos também são trabalhados, como com gravuras (18%), com o mapa do corpo

(12%) e com a localização (12%).

Todos os professores entrevistados afirmam que já trabalharam com diversos


tipos de maquetes em sala de aula com os alunos. A figura 4 mostra que destes

professores, 90% já construíram algum tipo de maquete com os alunos em sala de aula

e apenas 10% deles nunca construíram.


4. CONCLUSÕES




Investigar, enxergar, imaginar, desenvolver e construir o pensamento lógico

espacial são requisitos importantes para a alfabetização da linguagem cartográfica, já

que o conceito de espaço é muito abstrato para uma criança. Será a partir de sua

realidade e de forma concreta que o professor deverá trabalhar as noções espaciais em

sala de aula, proporcionando situações que ajudem seu aluno a desenvolver o

raciocínio, construindo seu conhecimento através de atividades práticas que envolvam

diversas habilidades que ajudem na organização mental do espaço geográfico. Sendo

assim, o aluno nas séries iniciais, antes de trabalhar com mapas, necessita saber

mapear, localizar, criar referências, símbolos e realizar atividades que o levem a

construção do conhecimento, porque é fazendo, criando e recriando que ele aprenderá

os conceitos cartográficos e geográficos.




5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS




ALMEIDA, R. D. Do desenho ao mapa: Iniciação cartográfica na escola. São Paulo,

2001.

FURLAN, Sueli Ângelo. A Geografia na sala de aula: a importância dos materiais

didáticos. Disponível em: <www.tvebrasil.com.br/salto>. Acesso em 04 de janeiro de

2007.

MARTINELLI, Marcello. Técnicas quantitativas e cartografia: alguns comentários sobre

uma aplicação. São Paulo: Geociências, 1998.

MINAYO, M. C. de S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 2.ed.,

São Paulo - Rio de Janeiro, Hucitec-Abrasco, 1993. 269p.

RIBEIRO, Luis Távora Furtado; MARQUES, Marcelo Santos. Ensino de história e

geografia. Fortaleza: Brasil Tropical, 2001.

SIMIELLI, Maria Helena. O mapa como meio de comunicação cartográfica: Implicações

no ensino de geografia do 1° grau. São Paulo: FFLCH/USP, 1986.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Partes de um trabalho escrito...

Esta será a ordem para apresentação dos tralhos impressos no seminário:
  • Capa (conforme modelo);
  • Folha de rosto (conforme modelo);
  • Sumário (será opcional);
  • Apresentação ou introdução (Você necessita responder às questões: quem? para quem? Deve conter: dados pessoais de identificação dos proponentes; nível de ensino a que se destina a proposta e modalidade; dados que julgar relevantes dentro da especificidade de cada projeto. A finalidade é apresentar a proposta de trabalho, localizando-a e descrevendo-a.);
  • Justificativa ( Neste item você deve responder às questões: o quê? por quê? Pode conter: a origem, necessidade e importância do referido projeto; estabelecimento de elos entre um referencial teórico específico de sua área de formação com a proposta de trabalho.);
  • Objetivos - geral e específicos (Pense na questão: para quê? São divididos em gerais e específicos. Deve-se eleger um ou dois objetivos gerais para o trabalho e a partir dele(s) definir três ou quatro específicos, que são desdobramentos do primeiro.);
  • Referencial teórico (Pense na questão: o quê (conteúdo)? Procure pesquisar em materiais diversificados e em caso de consultas na internet localize sites de instituições reconhecidas pelo campo científico.);
  • Desenvolvimento e operacionalização (Responda às questões: como? com quem? onde? A metodologia e/ou linguagem que você escolheu deve estar presente no detalhamento do projeto, pois o planejamento das ações é conduzido a partir dela. Esse é o sentido do projeto de estágio deste semestre. O item deve conter ainda a definição de todas as etapas/fases que comporão o projeto a ser desenvolvido na escola, suas finalidades, seus procedimentos gerais, específicos e fundamentais em direção à consecução dos objetivos propostos. Aqui você também deve indicar como avaliará o trabalho desenvolvido junto aos alunos.);
  • Cronograma ( conforme modelo);
  • Referências bibliograficas ( São as referências lidas e citadas no corpo do trabalho.).
Fonte: adaptação para o seminário presencial da UAB/UEPG
LEMBREM-SE ESTA É A FORMA BÁSICA PARA QUASE TODOS OS TRABALHOS CIENTÍFICOS QUE VC FARÁ, PARA OS MAIS VARIADOS FINS.
BOM TRABALHO.

NORMAS TECNICAS DA UEPG

NESTE SITE EXISTE O MANUAL COMPLETO:

http://ri.uepg.br:8080/riuepg/bitstream/handle/123456789/441/LIVRO_ManualNormaliza%C3%A7aoBibliografica.pdf?sequence=1

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Cartografia

Cartografia
O que é cartografia, elaboração de mapas, história da cartografia, informações via satélite,
representações cartográficas, uso da cartografia no cotidiano
Introdução

Nós não percebemos, mas utilizamos as informações e conhecimentos produzidos pela cartografia no cotidiano. Ao consultarmos um guia de mapas de ruas, nas aulas de geografia da escola, no aparelho de GPS (Global Positioning System) do automóvel e em outras situações, estamos em contato com esta ciência que atua, principalmente, na elaboração e interpretação de mapas. Portanto, a cartografia é uma ciência voltada para a elaboração de mapas, unindo conhecimentos científicos, técnicos e artísticos.

História

Podemos dizer que a cartografia surgiu na antiguidade, pois encontramos representações de mapas na Grécia Antiga, Império Romano, Mesopotâmia, entre outros povos da antiguidade. Evidentemente que os cartógrafos da época antiga não tinham muitos recursos para produzirem mapas com precisão. Os mapas antigos eram repletos de imperfeições, principalmente, no que se refere à proporcionalidade. Mesmo assim, serviam de referência para viajantes e comerciantes da época, que necessitavam muito destas informações para planejarem suas viagens.

Na época das Grandes Navegações e Descobrimentos Marítimos (séculos XV e XVI), os cartógrafos foram extremamente importantes. Cada expedição levava um especialista em mapas, pois era importante que as embarcações não se perdessem nos vastos oceanos. Foi no século XVI que os primeiros mapas do continente americano e também do Brasil foram elaborados.

Cartografia na atualidade

Atualmente, os cartógrafos contam com informações gráficas enviadas por satélites. Estes dados chegam com total precisão, cabendo ao cartógrafo interpretá-los e organizá-los de forma científica. Computadores avançados são utilizados nestas operações, oferecendo resultados de grande importância.

Os mapas cartográficos auxiliam na agricultura, previsão do tempo, construção de rodovias, aviação, planejamento ambiental e em vários sistemas de orientação que usamos no dia-a-dia. Esta ciência também é muito importante para o estudo de diversas áreas da Geografia.

Você sabia?

- Comemora-se em 6 de maio o Dia do Cartógrafo.

Bibliografia indicada:

- Cartografia Básica
Autor: Fitz, Paulo Roberto
Editora: Oficina de Textos
Temas: Geografia / Mapas / Cartografia

- Mapas da Geografia e Cartografia Temática
Autor: Martinelli, Marcello
Editora: Contexto
Temas: Geografia / Mapas / Cartografia

- A Cartografia
Autor: Joly, Fernand
Editora: Papirus
Temas: Geografia / Mapas

- Brasil - Uma Cartografia
Autor: Chiavari, Maria Pace
Editora: Casa da Palavra
Temas: Geografia / Mapas

Retirado do site:


06/09/2011 - 9h50 min.

sábado, 3 de setembro de 2011

Olhe a paisagem

Atividade Permanente

Olhe essa paisagem

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Introdução Sempre há uma paisagem com a qual nos identificamos mais, onde nos sentimos "em casa". E, é muito comum que a paisagem que mais nos conforta é aquela que vivenciamos quando crianças. E de que forma a paisagem, coisa externa a nós, passa a fazer parte da nossa vida? Como a apreendemos? Quais são os referenciais que utilizamos numa paisagem, seja urbana ou outra, de forma a nos movimentarmos com segurança? Como criamos referenciais na paisagem para nos localizarmos e nos deslocarmos no nosso cotidiano? Como a paisagem, que já faz parte da nossa vivência emocional, pode também ser fundamental para os nossos deslocamentos? Tal percepção é algo que se aprende e pode ser explorado e exercitado.

Num primeiro momento é interessante pensar que apreendemos a paisagem de forma escalar concomitantemente ao nosso crescimento. Num primeiro momento percebemos a paisagem do nosso entorno mais imediato: a casa, o jardim, o quintal, os pátios dos prédios. Depois vem a rua, as casas e praças vizinhas, o caminho da escola. E achamos tudo muito grande.

Mas também é interessante pensar que nos dias de hoje há diversas formas de apreensão visual da paisagem. A primeira forma de apreensão é a frontal, que é como as crianças se relacionam e apreendem suas paisagens mais imediatas. E é desta forma que as representam. São os componentes de seus desenhos a visão predominantemente frontal dos elementos da paisagem. E esta apreensão frontal, na maior parte das vezes, é feita quando a criança está a pé. Ela utiliza, portanto, métricas pedestres para localizar o que está mais perto e o que está mais longe. E neste caso a topografia do terreno pode ter um valor significativo: se o caminho é plano a criança pode considerá-lo muito mais acessível que um caminho íngreme, por exemplo.

Agora, nas grandes cidades, provavelmente haverá uma paisagem que a criança apreenderá de forma cinemática. É a paisagem vista da janela do carro, do ônibus, do trem, em seus deslocamentos cotidianos. Em movimento, como no cinema. E também será uma paisagem que pode ser apreendida numa viagem ou para quem mora no campo e pode realizar grandes deslocamentos. E esta paisagem estará também noutra percepção escalar, os espaços percorridos serão mais amplos. A apreensão da paisagem aqui poderá ser feita não individualmente, elemento por elemento, mas poderá haver uma apreensão de conjunto: uma classificação por tipos de vias, se ruas ou avenidas; as árvores serão apreendidas no seu conjunto, se tal paisagem é mais ou menos arborizada; assim como as moradias, se predominam prédios ou casas unifamiliares, por exemplo. A relação com esta paisagem será diferente daquela apreendida a pé. E os referenciais também serão diversos daqueles escolhidos numa paisagem local.

E há ainda outra forma de apreensão da paisagem que é a do vôo do pássaro (vertical), quando o deslocamento é feito por avião. Neste caso a escala de apreensão deixará de ser local para ser regional ou talvez até global. E os elementos componentes da paisagem terão outra dimensionalidade. Mas é uma experiência que pode ser bastante restrita para algumas crianças, e na maior parte das vezes não compõe o repertório visual que estas possuem sobre as possíveis apreensões de uma paisagem. A visão vertical de uma paisagem poderá ser suprida com uma foto aérea, e enquanto representação, pelo mapa.

Mas, como estimular nas crianças a percepção e apreensão da paisagem e de seus elementos? Como fazer com que os elementos da paisagem sejam utilizados como referencial nos deslocamentos do dia a dia? É o que propõe esta atividade.


Objetivos
- Exercitar a visualização e a apreensão da paisagem com os focos frontal e cinemático;
- Trabalhar a competência relativa à localização por meio de referenciais definidos na paisagem.

Espera-se como desdobramento desse plano de aula que as seguintes expectativas de aprendizagem sejam alcançadas:

- Que os alunos sejam capazes de observar e representar uma paisagem, por desenho ou outras representações mais esquemáticas;
- Que os alunos consigam identificar na paisagem elementos de referenciamento local;
- Que os alunos consigam realizar classificações da paisagem de forma a apreender a paisagem nos níveis locais e regionais e nos enfoques frontal e cinemático.

Ano
3º, 4º, 5º e 6º

Tempo estimado
3 aulas

Material necessário Cadernetas de anotação
Folhas de papel sulfite
Lápis preto e colorido
Régua

Desenvolvimento das atividades
Primeira aula O (A) professor (a) pode fazer uma dinâmica inicial com os alunos sobre qual ou quais são os entendimentos do termo paisagem. Após os alunos apresentarem suas significações para o termo, o professor deverá expor uma idéia de paisagem o mais ampla possível, que passa pela definição de que paisagem é tudo aquilo que se apreende pelo olhar. Portanto, é o que tem existência física, um prédio, uma árvore, um rio etc. Para se identificar e descrever uma paisagem é preciso passar pelo olhar, pela observação. E saber olhar com enfoques específicos é também um aprendizado.

Neste momento o professor deverá expor a atividade que é exatamente olhar a paisagem e depois representar esta paisagem. E também será exposta a forma de olhar esta paisagem, que é uma apreensão na visão frontal, utilizando-se de métricas pedestres e depois explicar a visão cinemática, onde a métrica de apreensão será numa escala mais ampla. Se houver algum material audiovisual de descrição de paisagem, como por exemplo, filmes onde os moradores descrevem o bairro, ou algum filme que tenha a apreensão cinemática, os road movies. O professor poderá selecionar alguns trechos destes filmes que mostram a paisagem em movimento. Caso seja possível esta atividade, será necessária a previsão de aula adicional para mostrar as imagens.

Na primeira aula, o professor deverá explicar a atividade de observação da paisagem no entorno da residência do aluno. O aluno deverá pedir o acompanhamento de um adulto para realizar esta atividade, pois deverá realizá-la a pé. As anotações ou até desenhos (ou croquis, caso o aluno já tenha realizado alguma atividade de elaboração de croquis cartográficos, para o exercício de representação vertical e de relação entre os objetos - o que está ao lado do que) deverão ser feitos numa caderneta de anotação. É importante ressaltar que o aluno deverá observar quais são as referências principais da paisagem observada, por exemplo, quando ele explica a um amigo onde fica a sua casa, qual é o elemento referencial da paisagem que chama mais atenção?

Segunda aula A segunda aula da atividade deverá ocorrer após todos os alunos terem feito a primeira observação da paisagem na visão frontal. De posse das anotações, os alunos deverão realizar uma representação da paisagem com os recursos que já foram desenvolvidos até o momento. Poderá ser uma representação com os elementos da paisagem na visão frontal, poderá ser um misto de representação frontal e vertical, onde os alunos conseguem representar o traçado da rua, por exemplo, numa visão vertical e desenham os prédios, casas e outras construções na visão frontal.
Na representação os alunos deverão identificar quais são os elementos referenciais da paisagem e fazer uma pequena justificativa sobre por que eles consideram aquele elemento fundamental para a identificação e localização naquela paisagem.

Terceira aula Nesta aula será explicada a continuidade do procedimento de observação e referenciamento da paisagem. Agora será a vez da apreensão cinemática da paisagem. Para tal apreensão, o aluno deverá aproveitar algum deslocamento feito em qualquer tipo de condução (carro, ônibus, trem) para efetuar a observação. As anotações também deverão ser feitas numa caderneta, agora com o enfoque de classificar os conjuntos homogêneos da paisagem e quais são os elementos mais significativos e identificadores deste conjunto, que servem também como referencial para o deslocamento e localização. Uma orientação que pode ser dada para a anotação do aluno é que ele faça uma linha, que é o trajeto do automóvel (ou do ônibus), onde serão anotados os elementos da paisagem que ele considerou mais significativos. Caso seja difícil a anotação em movimento, o aluno deverá efetuar a anotação assim que chegar a seu destino, qual foi a memória da paisagem observada.

Quarta aula Em sala de aula o professor deverá agora orientar a sistematização e representação da observação da paisagem cinemática. O importante nesta segunda representação é atentar para a classificação dos elementos da paisagem, que não poderão mais constar no desenho ou croqui somente individualizados, mas também enquanto parte de um conjunto que contenha certa homogeneidade, que possam fazer parte de uma classe. As representações poderão conter, assim, uma legenda, diversificando as classes que foram apreendidas pelo aluno para classificação da paisagem. Para diversificação visual das classes, poderá ser utilizado o lápis de cor, cores diferentes para classes diferentes.
Nesta representação os alunos também deverão indicar quais foram os elementos da paisagem referenciais no trajeto executado. Poderão fazer uma pequena descrição e justificativa porque definiram tais elementos como referenciais para localização na paisagem observada.

Avaliação
Além da participação nas atividades propostas para desenvolver a percepção e representação da paisagem, algumas atividades complementares podem ser propostas e essas podem se constituir novas situações de avaliação. Os alunos podem perguntar aos pais quais são os referenciais de deslocamento identificados por eles nas mesmas paisagens observadas e representadas na atividade. Será interessante também fazer a comparação entre alunos da classe que observaram e representaram a mesma paisagem. O objetivo será verificar se os referenciais na paisagem que fazem sentido para um adulto são também representativos para uma criança, como por exemplo, sinais de trânsito, que fazem sentido para quem dirige o veículo. Fazer pequenos relatos, orientandos pelos professores. Algo assim pode enriquecer a atividade e servir para verificar o envolvimento dos estudantes.
Quer saber mais?
BIBLIOGRAFIA
ALMEIDA, Rosângela Doin; SANCHEZ, Miguel César & PICCARELLI, Adriano. Atividades Cartográficas. São Paulo: Atual, 4 vols., 1997.

SCHAMA, Simon. Paisagem e memória. São Paulo: Cia das Letras, 1996. 645 p.

FILMES
O Caminho das Nuvens
Tempo de Duração: 87 minutos, Brasil, 2003.
Decidido a buscar uma vida melhor, um caminhoneiro decide levar sua família de bicicleta da Paraíba para o Rio de Janeiro.

Pequena Miss Sunshine
Tempo de Duração: 101 minutos EUA, 2006
Uma família repleta de problemas decide se unir em uma viagem, que tem por objetivo levar a caçula para um concurso de beleza de pré-adolescentes. 
Consultoria: Jaime Tadeu Oliva
Professor de Geografia