terça-feira, 6 de agosto de 2013

O AUTISMO E A ESTIMULAÇÃO SENSORIAL: UM OLHAR PSICOMOTOR


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  • 1. O AUTISMO E A ESTIMULAÇÃO SENSORIAL: UM OLHAR PSICOMOTOR Autora: Marques, R. Q. Introdução: O Autismo Infantil é um Transtorno do Desenvolvimento caracterizado por déficits em diversas áreas, tais como: comunicação, interação social, funcionamento cognitivo, processamento sensorial e comportamento. No entanto, cada criança é única, evoluindo de formas distintas de acordo com sua gravidade e com sua estimulação. Diante da suspeita de um diagnóstico de autismo, acredita-se que quanto mais cedo se inicie a estimulação adequada, mesmo antes do fechamento deste diagnóstico, maiores serão as chances dessas crianças terem uma boa evolução. A Psicomotricidade tem como objetivo principal estudar e trabalhar o Homem de uma maneira integrada, considerando que seus aspectos motores, cognitivos, sociais e afetivo- emocionais atuam em conjunto, interferindo de modo positivo ou negativo em suas relações consigo e com o meio que o cerca. O olhar psicomotor voltado para a criança autista poderá mudar o lugar que lhe foi dado, de um alguém sem futuro e sem esperança, ampliando, assim, as formas de tratamento. A psicomotricidade irá mostrar que é possível interagir com eles através de mediadores verbais e não verbais, buscando torná-los mais autônomos nas tarefas cotidianas, diminuindo a dependência de outrem e, conseqüentemente, melhorando imensamente sua qualidade de vida. É importante observar que todo o trabalho feito com as crianças autistas deve ser permeado de um cuidado mais do que especial. É necessária uma postura de observação minuciosa por parte do terapeuta e o conhecimento da patologia, para maior compreensão do bom andamento da estimulação. Além disto, são fatores fundamentais, o amor, a disponibilidade e, acima de tudo, a confiança nessas crianças e a credibilidade na possibilidade de desenvolvimento destas. Objetivos: A psicomotricidade irá trabalhar no autismo, principalmente, no investimento do corpo para propiciar a tomada de consciência dele. Com isto, será possível um maior controle dos atos motores e na coordenação gestual do cotidiano, o que facilitará uma melhor relação com o meio em que vive e com as pessoas que o cercam. O objetivo do trabalho é possibilitar à criança viver e sentir seu corpo, tirando-a dos estereótipos e incentivando-a a descobrir seu próprio movimento. O objetivo não é moldá- -la, mas oferecer à criança instrumentos que estimulem o seu desenvolvimento através do prazer de viver seu corpo nas mais variáveis relações. Através de experiências sensório-motoras é possível aumentar sua relação com o mundo, já que o contato com os outros através do toque ou do olhar é inicialmente difícil. Entretanto, mesmo diante das dificuldades, é fundamental o contato ocular, a fim de permitir que o terapeuta perceba todos os sinais, por mais imperceptíveis que sejam, que a criança irá enviar. A psicomotricidade também irá trabalhar com o autista através do contato corporal, explorando as diferentes variações do toque, do mais sutil ao mais forte, com o intuito de dar contorno ao corpo e, através de suas variações, possibilitar, aos poucos, uma maior aceitação, por parte da criança autista, das sensações proporcionadas. Fundamentação Teórica: A criança autista tem dificuldades de se apropriar de seu corpo, de entender e administrar sentimentos e emoções, que irão refletir, principalmente, no seu relacional e, conseqüentemente, no seu aprendizado.
  • 2. Para a Psicomotricidade, o corpo é o meio pelo qual o indivíduo se exprime. Levin (2001) diz que o sujeito fala através de seu corpo, das variações tônico-motoras, do movimento, dos gestos e do esquema corporal. O esquema corporal é a percepção geral e diferenciada que se tem do corpo. Soubiran (1975, apud Mousinho 2002) considera o esquema corporal como a resultante de uma consciência do corpo acrescida de sentido espacial e suas atitudes, o que permite uma identificação das possibilidades desse corpo quanto aos seus movimentos e ações. Levin (ob. cit.) aponta que o esquema corporal é a própria idéia que se faz do corpo e que, assim, apresenta caráter mutável, evolutivo, sujeito ao passar do tempo. Afirma, ainda, que o esquema corporal se constrói na evolução do desenvolvimento psicomotor da criança. De acordo com Fainberg (1982), desde o início, no período da simbiose com o outro, a criança faz a diferença da pessoa que cuida dela e do estranho. Em seguida, através da imitação, a criança se descobrirá como ela mesma. O outro terá papel fundamental na evolução do conhecimento do corpo, servindo inclusive de espelho. A criança terá no corpo do outro a imagem do pré-conhecimento de si mesma. O autista não tem a noção de totalidade do seu corpo, ele lhe parece fragmentado, o que torna difícil a integração do esquema corporal e, conseqüentemente, a estruturação da imagem do corpo. Outra característica é que as percepções sensoriais do autista são alteradas, causando grande desconforto e prejuízo nos relacionamentos sociais. Em Mousinho lê-se um relato no qual Leboyer (1985) descreve a constatação de Ornitz e Ritvo de que a reação às percepções sensoriais da criança autista pode ser excessiva (hiper- reação) ou atenuada (hipo-reação) e produzível através de qualquer órgão dos sentidos (p. 115). Mousinho diz ainda que, Lovaas e Schreibman (apud Leboyer, 1985) criaram o conceito de estímulo hiperseletivo para especificar uma incapacidade dos autistas de integrarem ou filtrarem diferentes estímulos sensoriais que estivessem presentes ao mesmo tempo. Desta forma, para que eles sejam capazes de responder a um estímulo sensorial, é preciso que este esteja isolado de outros. Para que o objetivo da psicomotricidade perante o autismo seja atingido, ou seja, para que se possa propiciar ao autista uma maneira confortável de viver no mundo e de ser eficiente, é preciso “dar” contorno ao seu corpo, fazendo com que ele possa ter a compreensão do que a ele pertence e do espaço, dos objetos e das pessoas que o cercam. É importante ressaltar que antes de iniciar qualquer tipo de trabalho, independente da queixa da criança, deve-se estabelecer um vínculo e um tipo de comunicação que irão permitir o desenvolvimento deste. Villard (1984, apud Mousinho, 2002) acredita que as experiências sensoriais e motoras, juntamente com a relaxação, propostas pela psicomotricidade, reforçam os limites do corpo, mal definidos na criança autista. Acrescenta que é necessário, primeiramente, oferecer o suporte das fronteiras do corpo, para depois fazê-la compreender o interior e o exterior. O contato, é importante para delimitar o corpo do autista, já que a pele, segundo Mousinho (2002), é a área sensorial mais extensa do corpo, sendo assim, o mais rico dos receptores; é a zona de fronteira entre o interior e o exterior do corpo. No entanto, ele não precisa ser físico; pode, num primeiro momento, ser feito com lençóis, cobertores, rolos de espuma, etc. Nesta situação, qualquer tipo de material é válido na busca de uma textura que seja suportável para a criança autista. Com o passar do tempo, dever-se-á incluir o contato físico, a fim de ajudar na estruturação de sua unidade corporal e de tornar sua relação com os outros mais próxima e agradável possível. Os sinais emitidos pelas crianças deverão ser captados pelo olhar do psicomotricista, que, além de observador, deverá estar em constante busca do encontro do olhar da criança, para que a partir deste momento, sejam facilitadas novas vias de contato. Através do olhar, o psicomotricista saberá o que agrada e o que incomoda, ou então o que parece ser indiferente, além de ser um excelente meio de estabelecer vínculo. Aucouturier (1984) diz que a voz é a única sensação de origem exteroceptiva que chega à criança in útero. A criança, quando nasce, é capaz de reconhecer a voz de sua mãe, antes mesmo de reconhecer seu rosto, através do ritmo e da melodia.
  • 3. Partindo deste princípio, pode-se pensar no mediador importantíssimo que é a voz. Quando se lida com as crianças autistas, muitas vezes, tem-se a sensação (no caso daquelas que não se comunicam verbalmente) de se estar falando em vão. Refletindo um pouco sobre esta situação, deve-se questionar se realmente fala-se em vão. Talvez, as palavras não estejam sendo compreendidas semanticamente, mas isto não quer dizer que nenhuma mensagem esteja sendo passada. Os tipos de entonação da voz, do ritmo e do volume utilizados serão fatores fundamentais na percepção da mensagem. É fundamental que o terapeuta tenha consciência do seu estado tônico-emocional para que, na hora da atuação junto à criança, não transpasse seus próprios problemas. Caso contrário, a voz em vez de grande aliada, passará a ser um instrumento de distanciamento não adequado. É importante iniciar uma aproximação pela voz, mesmo que seja apenas pedindo permissão para tal. Deve-se sempre ter em mente que, ainda que a criança não responda verbalmente, ela dá indícios de suas vontades. É necessário falar à criança todas as intenções e esperar sua reação positiva ou negativa, pois sempre haverá alguma. Considerações finais: O trabalho com crianças autistas é fascinante. Por um lado, é extremamente difícil e demorado, já que se precisa descobrir a melhor via de acesso para que se possa comunicar. É um processo de intensa observação e cuidado para não se perder os pequenos sinais emitidos, tampouco invadir um território sem permissão. Cabe lembrar, que por mais debilitadas que estas crianças possam estar, são indivíduos com vontades e desejos expressos que devem ser respeitados. Muitas vezes, na tentativa de ajudar acaba-se por ultrapassar um limite, não considerando a postura do outro. Por outro lado, é muito gratificante, quando se percebe singelas mudanças em seu comportamento, que irão, aos poucos, possibilitar uma melhora na qualidade de vida. O trabalho com autistas é permeado de muitas conquistas e novas descobertas a cada instante. As respostas obtidas dão esperança e incentivo, que são fatores fundamentais em qualquer abordagem terapêutica. Optou-se pela estimulação sensorial, por não se acreditar num trabalho de condicionamento que não os prepara para a vida social e sim os restringe ao âmbito familiar. Convém ressaltar que todo o processo terapêutico deve incluir os familiares para que se possa ter um trabalho integral e de qualidade. Orientar a família em relação à patologia e ao tratamento proposto torna-se fundamental e é imprescindível conscientizar os familiares quanto a sua atuação, como parte integrante e importante do tratamento. Para que o trabalho seja completo e apresente bons resultados é necessária a colaboração de todas as pessoas envolvidas com a criança, atuando num mesmo propósito, o de ajudar as crianças a conviverem melhor consigo mesmas, com os outros e com o meio que as cercam, para que todos sejam mais felizes. Bibliografia: AUCOUTURIER, B. e LAPIERRE, A. Fantasmas Corporais e a prática psicomotora. Tradução: Regina Soares e Silva e Sônia Artin Machado. São Paulo: Manole, 1984. 139 p. FAINBERG, J. Esquema Corporal. Revista do corpo e da linguagem, Rio de Janeiro, n.1, p. 5-11, Jul. 1982. LEVIN, E. A clínica psicomotora: o corpo na linguagem. 4a ed. Tradução: Julieta Jerusalinsky. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2001. 341 p. ISBN 85-326-1544-9. MOUSINHO, R. O corpo no(s) Autismo(s) in FERREIRA, C. A. M. e THOMPSON, R. (Org) Imagem e Esquema Corporal: Uma visão transdisciplinar. São Paulo: Lovise, 2002. p. 111-120.



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

COMPORTAMENTOS AGRESSIVOS OU INTENSA ENERGIA?

20 de janeiro de 2013 às 09:24
TEXTO: Joanicele Brito Postado por Wilde Kate, Professora Sênior do Programa Son-Rise.

Quando os pais descrevem a criança como “agressiva” eles querem dizer que ela bate, morde, arranha, belisca, puxa o cabelo, cospe na cara das pessoas, dá estalos, pontapés e geralmente usa força física. Este termo também é utilizado se a criança morder a própria mão, bater com a cabeça e outras actividades auto-lesivas.
No dicionário “Agressivo” é definido como:‘Caracterizado por ou que tende a ofensivas, ataques, invasões, etc sem motivo; militância ou ameaça: atitudes agressivas contra um país vizinho.’
Assim, quando usamos esta palavra para descrever os comportamentos da criança estamos dizendo que ela está atacando. Quando se magoando acreditamos que ela se está se atacando sem motivo?
‘Violento’ é outra palavra que utilizamos para descrever comportamentos como os acima descritos. Muitas vezes, tive pais que procuraram a minha ajuda que diziam coisas como “O meu filho está ficando violento”, ou profissionais que diziam que trabalhavam com “uma criança violenta”.
‘Violento’ é definido como:“Ações extremamente fortes que se destinam a prejudicar as pessoas ou são suscetíveis de causar danos, ou envolvem o uso da força para ferir ou atacar. ”
Quando chamamos as crianças de violentas, estamos sugerindo que elas têm intenção de nos magoar. Para mim, a palavra violento evoca imagens de mortes e guerra, não algo que atribua a uma criança com autismo.
No Autism Treatment Center of America, a casa do Programa Son Rise®, não temos a visão de que as crianças nos atacam sem motivo tal como a palavra “agressivo” sugere, elas também não são inerentemente más ou agem, de fato, de forma como se quisessem magoar outras pessoas. Acreditamos que elas estão tentando cuidar de si próprias da única maneira que sabem. Não rotulamos este comportamento como “agressivo” ou “violento”, chamamos-lhe “energia intensa”. O rótulo “energia intensa” não tem nenhum dos julgamentos associados às palavras “agressivo” ou “violento” e descreve de forma mais precisa a situação que está para acontecer.
foto tirada daquiA seguir estão duas das razões mais comuns para a sua criança ter uma energia intensa. Perceba a razão para ajudá-lo-á a aplicar as estratégias mais eficazes para minimizar a energia intensa da criança, bem como novos pensamentos e crenças que você poderá adotar para ajudar-se a sentir-se mais confortável com este aspecto da sua criança.

A Energia Intensa não aparece vinda “do nada”.
Os pais dizem que as suas crianças vão lhes bater sem razão aparente, que acontece vindo “do nada”. Nos meus 25 anos de trabalho com crianças e adultos com autismo, bateram-me, estrangularam-me, deram-me pontapés, murros, beliscaram-me, morderam-me, deram-me estalos, cabeçadas, crianças e adultos bem mais altos e pesados do que eu. O meu treino no Autism Treatment Center of America ensinou-me a observar realmente uma criança e a perceber o que está acontecendo com ela e a relação entre o que eu fiz e o que elas fizeram. Desde então, nunca trabalhei ou observei uma criança que nunca tivesse dado sinais claros de que estavam quase para me bater, bater no facilitador com quem estavam trabalhando ou nos seus pais.
Isto é fantástico porque significa que tudo o que temos que fazer é observar criança, compreender de forma mais clara e reparar naquilo que FAZEMOS.
RAZÃO #1 – Desafios Sensoriais
O que é?
Muitas pessoas com autismo têm  experiência extrema de super ou sub-sensibilidade (não sentem dores por exemplo) a estímulos, conhecida comotranstorno do processamento sensorial ou disfunção de integração sensorial. De acordo com Psychology Today, este distúrbio do processamento sensorial pode apresentar um grande desafio social para adultos autistas. Conhecer novas pessoas traz informação sensorial nova, incluindo cheiros, sons, visões, e outros tipos de entrada. Isso pode levar os autistas a evitarem novas interações sociais. (Conceito retirado daqui.)
Sabemos que o sistema sensorial das nossas crianças tem muitos desafios. Elas podem ter energia sendo criada dentro delas e que elas não sabem liberar adequadamente. Quando temos excesso de energia nos nossos corpos, fazemos algum exercício para ajudar a liberá-la. As crianças autistas parecem não perceberem o que está a acontecendo com seu corpo e por isso criam formas únicas e interessantes de liberar essa energia. Elas mordem, beliscam, apertam as pessoas com determinação e força. A ação de morder ou beliscar, na verdade, libera esta energia, ajudando-as a organizarem-se fisicamente.
Foto tirada daqui
Experimente este exercício:
1. Pegue num objeto como uma bola insuflável ou uma toalha.–> Morda-o. Sim, é isso mesmo. Crave os dentes nele com todo seu poder .–> Faça-o 3 vezes, cada vez durante 20 segundos.
2. Junte as mãos e aperte-as, de novo, não sem entusiasmo, mas com todo o seu poder.–> Faça-o 3 vezes, cada vez durante 20 segundos.
3. Escreva num papel como se sentiu ao fazer isto.
O que eu sinto e o que as pessoas dizem sentir é um alívio de qualquer tensão que se tenha. Sabem bem fazer isto! E ajuda o nosso corpo. As nossas crianças fazem isto pelas mesmas razões, apesar de que a energia que elas têm de libertar dos seus corpos é maior do que a nossa. O truque é ajudar a criança a utilizar algo para libertar as energias que não seja outra pessoa.
Elas também podem dar a si próprias um estímulo sensorial batendo com a cabeça, mordendo a parte mole dos polegares, batendo nas coxas ou pés. Neste caso, vemos crianças que agem como se fossem o seu próprio terapeuta ocupacional, tentando ajudar a equilibrar o seu próprio sistema sensorial.
Quais são os sinais?
Poderá notar que a criança tem um dos seguintes comportamentos, mesmo antes de se bater ou se beliscar, ou poderá ver um aumentos dos seguintes comportamentos durante um período de cerca de 30 minutos antes de chegar a sua energia intensa.
–> Saltar intensamente–> Fazer força em partes do corpo, por exemplo, fazer tanta força na cara que chega a tremer um pouco.–> Bater em qualquer parte do corpo de forma mais vigorosa com a mão ou um objeto.–> Correr por toda a casa ou quarto com uma enorme energia.–> Gritar sons cada vez mais altos do que o habitual.–> Tornar-se mais intensa e rápida ao recitar trechos de filmes ou livros.–> Fazer-lhe perguntas disparadas, quando você sabe que ela sabe a resposta.–> Entrar num padrão do contra, em que pede por algo, você dá e a criança diz não, depois volta a pedir a mesma coisa e quando você volta a dar ela volta a dizer não, e assim sucessivamente.
Se você não tem a certeza do que o que a sua criança faz no período anterior a energia intensa, vire um detetive, ande sempre com um caderno e comece a escrever o que vê! Anotar o que o seu filho faz antes de ter energia intensa trará pistas válidas sobre o porquê deste comportamento. Uma vez que sabemos o porquê, poderemos aplicar a estratégia mais útil para ajudá-la. Nós queremos tratar da razão subjacente da energia intensa da criança e não apenas gerir os sintomas.

O que fazer?A ideia é dar-lhes o estímulo sensorial que eles estão à procura durante todo o dia, para que não se crie um momento em que eles o irão procurar a partir de nós usando a “Energia Intensa”.
Como:

–> Começar a apertar as mãos, pés e cabeça da criança.–> Dar-lhe um abraço de urso, sentado-se atrás da criança e envolvendo com os braços e pernas a criança, para que lhe possa dar um verdadeiro aperto corporal.–> Rolar uma bola grande terapia sobre o seu filho, esta é uma maneira útil para dar um “abraço de urso” a uma criança maior ou mais velha.–> Encorajar a criança a saltar no trampolim.–> Para uma criança com idade superior a 14 anos, sugiro que se assegure que ela faça muito exercício físico, como nadar, correr,  caminhar, saltar num grande trampolim, algo em que elas se esforcem mesmo. Faça isso 3 vezes por semana.
Você pode fazer qualquer uma das sugestões acima referidas. Escolha aquela que acha que a sua criança irá gostar mais. Enquanto estiver fazendo as 3 primeiras sugestões, deve experimentar a intensidade em que oferece o abraços de urso, o aperto ou o rolar a bolsa de terapia. Aumente a pressão devagar enquanto observa para ter a certeza de que a criança está gostando. A minha experiência é de que as crianças que usam a energia intensa devido às suas necessidades sensoriais, vão gostar de mais pressão.
Como responder à criança quando eles batem por essa razão?
 
1. Pense nos seguintes pensamentos:
–> A criança está me batendo numa tentativa de cuidar do seu sistema sensorial.–> Não significa nada em relação ao amor ou respeito que tem por mim.–> Eu posso ajudar a criança, dando-lhe mais estímulos sensoriais para a ajudá-lo a equilibrar o seu corpo.Estes pensamentos vão ajudá-lo a preparar-se para responder de forma calma, tranquila e carinhosa.
2. Aperte-lhe as mãos, cabeça e maxilar.
–> Se a criança bater em você com a cabeça, ofereça-se para lhe apertar a cabeça… se ela beliscá-lo, ofereça-se para lhe apertar as mãos… se ela mordê-lo, ofereça-se para fazer pressão na linha do maxilar.–> Explique-se que ela não tem que morder, beliscar ou bater com a cabeça e que você ficaria feliz de a apertar sempre que ela quiser.Agora que você sabe os sinais de alarme, deverá conseguir dar à criança o estímulo sensorial que ela procura antes de ela chegar ao estado de bater, morder ou beliscar. Pegue-lhe na mão antes de ela chegar a si para exercer pressão!
Dicas:
–> Quando estou trabalhando com crianças que gostam de bater, normalmente quando me abraçam elas cravam os dentes no meu ombro então  tenho sempre um pequeno brinquedo de mastigar no meu bolso para oferecer-lhes, ou coloco almofadas debaixo da camiseta para proteger os ombros.–> Se a sua criança conseguir mordê-lo, tente mover-se no sentido da mordida e não afastar-se. Por exemplo, se a criança estiver mordendo o seu braço, empurre o braço para a mordida, se puxar o braço vai doer-lhe mais. Utilize o polegar e o indicador e empurre os dois lados da linha do maxilar da criança, isto não irá magoá-la e fará com que ela abra instantaneamente a boca.
RAZÃO #2 – Comunicação
Foto tirada daqui
Bater, morder, dar estalos, cuspir, beliscar, dar murros, bater com a cabeça, morderem-se, pode ser simplesmente a sua criança comunicando que quer alguma coisa. Pode ser o caso de uma criança que ainda não é verbal e de uma criança que é altamente verbal. Se elas acreditarem que as pessoas lhes darão as coisas mais rapidamente se elas baterem nas pessoas ou nelas próprias, então elas vão querer carregar no botão “avançar rapidamente” fazendo isto.
Quais são os sinais?
–> Beliscam/mordem/batem/dão murros logo quando você diz elas não podem ter qualquer coisa.–> Não se fazem entender.–> Batem de formas diferentes, normalmente de forma desordenada, como em jogos. Esta poderá ser a forma da criança reiniciar o jogo com você.
O que acontece é que as pessoas à volta vão começar agir de forma mais eficaz e a “perceber” melhor essa criança quando elas batem. O adulto de repente torna-se mais eficaz ao que a criança pede porque quer evitar que a criança lhe bata. A criança pode começar a pensar – “ok, então a melhor maneira de eu conseguir aquilo que eu quero é bater, aí todos tentarão me entender melhor”.Ao invés de corresponder ao que a criança quer, este momento é importante não só que você esteja atento e perceba que a criança está usando a energia intensa, mas também ao que VOCÊ saiba o que fará em resposta a isso.
Experimente este exercício:Responda às seguintes questões quanto à agressão da sua criança quando ela quer alguma coisa ou está com algum problema em comunicar-lhe o que quer.
–> Como reage seu corpo? O seu coração está acelerado? As mãos dela começaram a suar?–> Como ela se sente? Chateada? Triste? Assustada? Contente?–> Como se movimenta? Mais depressa? Mais devagar?–> Dá à criança o objeto ou o que ela lhe pede?–> Se não percebe o que ela quer, tenta oferecer-lhe diferentes coisas?
Então, comece a observar como os outros familiares interagem com a sua criança, como é que eles respondem quando a criança lhes bate. Pergunte na escola ou onde a criança faz terapia como é que eles respondem quando a criança lhes bate.

Se a sua criança bate para comunicar algo que quer é porque alguém em algum local está respondendo de forma mais eficaz a este tipo de comunicação.
O que fazer?
1. Pense os seguintes pensamentos
–> A minha criança é esperta! Está tentando obter aquilo que quer da forma mais rápida possível.–> Eu sei o que fazer. Posso ajudar a minha criança movendo-me lentamente e explicando-lhe que eu não consigo percebê-la quando ela me bate.
2. Mova-se lentamente.Isto é muito importante. Queremos mostrar às crianças que qualquer forma de energia intensa não vai ajudá-las a obterem o que querem mais rapidamente, na verdade, isso fará que as pessoas se tornem mais lentas.
3. ExpliqueDiga à criança que não entende o que ela quer quando ela lhe bate. Explique também que, mesmo que ela lhe bata, isso não irá mudar a situação e que você não irá fazer/dar-lhe o que ela quer.
4. Saia do caminho e dê-lhe uma alternativa.Agora que você sabe a razão porque a criança se comporta desta forma, prepare-se. Se a criança quer algo e a resposta é não:

–> Saiba que ela poderá bater-lhe.–> Saia do caminho, para que ela não o alcance com as mãos, isto lhe dará tempo para se proteger, pegando nas mãos da criança e apertando-as, ou oferecendo outra coisa para ela morder ou bater, tal como uma bola ou um tambor, um joão bobo, etc.–> Se a sua criança é adulta ou mais alta que você, tenha sempre uma bola de terapia grande ou uma grande almofada disponíveis, para colocar entre você e a criança para se proteger. Acredite que você é forte e guarde isso com toda a sua determinação e não se esqueça.
5. Não dê à criança aquilo que a levou a mordê-lo.Isto é muito importante! Você quer ajudar a criança a perceber que nenhum tipo de energia intensa irá fazer com que ela tenha o que deseja. É muito importante ensinar isso a criança desde pequena para que seja útil socialmente nos anos seguintes.
Se quer dar à criança aquilo que a levou a mordê-lo, certifique-se que lhe pede para comunicar de uma forma diferente antes de lhe dar. Peça-lhe para apontar ou use uma aproximação da palavra ou a palavra mesmo. Celebre quando a criança corresponder e certifique-a de que está dando o que ela quer apenas porque ela comunicou de forma diferente e não porque lhe bateu.
6. Seja Persistente e Consistente.Como a criança conseguia o que queria com eficácia quando lhe batia, demorará algum tempo até a criança perceber que essa já não é forma de você responder. Continue a responder da forma como está indicado acima até a criança perceber a ideia. Se demorar mais do que 2 semanas para a criança mudar este comportamento, certifique-se de que está seguindo todos os passos indicados acima. Talvez tenha deixado passar um passo importante! Se não, o mais provável é que alguém, sem ser você, esteja agindo como antigamente. Seja um detetive e descubra quem é essa pessoa.
retirado de: Autism Treatment Center via Vencer Autismo
Leia mais sobre o TPS = Transtorno de Processamento sensorial aqui
Esse blog da terapeuta Johanna Cordeiro Melo Franco tem muito material que vale a pena ler e muitas dicas de atividades sensoriais! Vale o clique.
Adoramos esse assunto e voltaremos a falar sobre ele pois é muito importante trabalhar a sensibilidade e a comunicação dos autistas e pais / terapeutas / professores e isso ajuda na conexão entre eles.

Fonte: http://www.estouautista.com.br/index.php/2012/10/11/a-sutil-diferenca-entre-o-excesso-de-energia-e-a-violencia/

O comportamento é impulsionado pela emoção.

21 de janeiro de 2013 às 05:45
 Créditos: Uma Voz para o Autismo - umavozparaoautismo.blogspot.com.br                                          
::O comportamento é impulsionado pela emoção.  - Comportamento-
 
O comportamento é impulsionado pela emoção. Quando aparece um comportamento inadequado a pessoa está sentindo algo que faz com que ela se comporte assim com o objetivo de processar a emoção que ela está sentindo. Às vezes, a pessoa pode estar irritada, entediada, confusa, etc. Impedir um comportamento inadequado exigirá que a pessoa aprenda a obter suas necessidades emocionais de uma forma mais adequada.

Quando a pessoa apresenta um comportamento inadequado que parece enrraizado e com multiplas funções é necessário que os adultos tenham respostas diferentes para as diferentes razões desse comportamento, onde, quando e em quem. Os adultos terão que encontrar estratégias criativas para fazer com que a pessoa se sinta responsável pela consequencia desse comportamento sem que essa consequencia faça com que aumente o comportamento que se quer eliminar.

Por exemplo, quando você SENTIR que a pessoa teve um comportamento inadequado porque ela estava se sentindo ansiosa, a sua resposta a esse comportamento pode ser um abraço para ajudá-la a sentir-se mais "at ease". Se você SENTIR que a pessoa se comportou inadequadamente porque ela estava entediada você pode orientá-la a dizer algo como: "Vamos brincar?" Diferentes emoções podem impulsionar o mesmo comportamento, por isso, precisamos dar respostas diferentes para abordar as diferentes emoções. Uma vez que a necessidade emocional é atendida, o comportamento inadequado irá diminuir. E você irá saber que está cumprindo suas necessidades emocionais com a diminuição do comportamento inadequado.

Deve-se ter o cuidado em NÃO colocar muita energia tentando fazer o comportamento inadequado parar.  Coloque a maior parte da sua energia em encher o “copo emocional” da pessoa com experiências positivas. Quanto mais cheio estiver  “o copo emocional” com experiências produtivas menos a pessoa estará inclinada a ter o mal comportamento.Comportamento impulsionado pela raiva - Quando o comportamento é impulsionado pela raiva é necessário que a pessoa seja responsablizada a reparar a ofença que seu comportamento gerou.

Fonte: http://umavozparaoautismo.blogspot.com.br/2013/01/emocoes-e-comportamento-at-ease-model.html

Emoções e comportamento - Aprender com as emoções -

21 de janeiro de 2013 às 05:38
Créditos: Uma Voz para o Autismo - http://umavozparaoautismo.blogspot.com.br
Emoções e comportamento - AT EASE Model  - Aprender com as emoções - 

É comum que quando as nossas crianças parecem nervosas ou estressadas nós façamos de tudo para “fazer passar” e que elas voltem a estar contentes, porém nossas crianças precisam aprender a tolerar todas as emoções e a única maneira de aprender isto é se nós tolerarmos que eles sintam essas emoções desconfortáveis.  As pessoas com autismo precisam tolerar uma variedade de emoções negativas como: decepção, frustração, confusão, irritação, raiva, tristeza, etc Estas emoções NÃO precisam ser intensas, mas elas terão que tolerar até certo ponto, a fim de atingir níveis mais elevados de aprendizagem. A cada degrau do desenvolvimento vêm níveis mais elevados de habilidades, emoções positivas e negativas a serem reguladas de forma a optimizar o potencial de aprendizado.

As relações de maior confiança da criança é a mãe e o pai, por isso pai e mãe precisam estar na liderança para definir limites claros sobre o comportamento da criança. Se a mãe e o pai não puderem tolerar que ela sinta desapontamento, frustração, alegria, irritação, confusão, etc então a criança também não será capaz de tolerar essas emoções nela mesma.É importante ressaltar que NÃO queremos que a criança vivêncie o estresse além do que é adequado para a sua idade de DESENVOLVIMENTO.  Quando o adulto assume o controle e estabelece limites claros com compaixão, somente então poderá mudar como a outra pessoa se sente e DEIXAR de tentar controlar a situação e assim, mudar como ela pensa e se comporta, EXPANDINDO sua compreensão concreta da situação e seu crescimento.

As crianças julgam novas experiências baseadas em como a mãe e o pai reagem. Quando a criança se aborrece e a mãe e/ou o pai respondem a esse aborrecimento tentando “consertar", a criança percebe que seu aborrecimento valia a preocupação dos pais e, portanto, foi válido. Quando ela se aborrece e pai e mãe sorriem e continuam o que estavam fazendo, então ela percebe que seu aborrecimento pode não ser tão importante quanto ela pensava e, ela assim,  também aprende a ter mais tolerância para com emoções e experiências desconfortáveis.

Nós não poderemos sempre evitar as emoções negativas. O melhor é minimizar as emoções negativas e ensinar a pessoa com autismo como tolerar confusão, frustração, decepção, raiva, irritação, etc Quanto mais ela aprender a tolerar essas emoções, mais flexível ela estará em aprender coisas novas. NÃO é suficiente apenas manter a pessoa feliz. Como todos nós, o autista precisa aprender e crescer para ser verdadeiramente feliz na vida.

Mudar como a outra pessoa sente NÃO implica que nós precisamos que ele esteja feliz o tempo todo. Ela precisa SENTIR uma emoção que a motiva a aprender e crescer.

MANUAIS SOBRE AUTISMO

7 de fevereiro de 2013 às 10:30